A GOVERNANÇA CORPORATIVA NO CAMPO

A GOVERNANÇA CORPORATIVA NO CAMPO

Peço licença aos nossos leitores para abordar um tema não especificamente jurídico, mas que tem permeado os poucos momentos livre que tenho para os estudos: a governança corporativa. “O que é isso?” Devem estar se perguntando. Pois foi a mesma dúvida que me surgiu quando ouvi falar do assunto, em cursos de qualificação para o auxílio de famílias empresárias passarem pelo processo de sucessão de suas empresas/ atividades.

Segundo o IBGC – instituto brasileiro de governança corporativa – a governança surgiu como ferramenta para superar a separação entre propriedade e gestão. Ao profissionalizar a gestão de sua atividade, o gestor precisa, no mínimo, de estar alinhado com os interesses do proprietário ou sócio.

O que isso tem a ver com a realidade do campo?! TUDO!!! É um caminho sem volta as mudanças pelas quais as propriedades rurais vem passando, em maior ou menor escala, dependendo da localização. Um exemplo é o ingresso de estrangeiros na atividade rural no país, na qualidade de parceiros de produtores/ proprietários. Ora, a propriedade é tratada como tema de segurança nacional. Mas, não fazendo juízo de valor sobre o tema (assunto que pode ser abordado em outra oportunidade), não deixa de ser injeção de recursos para incremento da atividade rural. Como legalizar essa participação? Com qual percentual? Como o proprietário pode garantir a gestão de sua própria propriedade?

Participando de cursos e pesquisando sobre o tema, num primeiro momento me ocorreu o seguinte questionamento: “Como aplicar toda essa profissionalização ao dia a dia dos produtores rurais?!” O desafio dessa resposta é que me faz aprofundar no tema e cada vez mais perceber que SIM, PODEMOS APLICAR A PROFISSIONALIZAÇÃO DA GESTÃO NO CAMPO! Dados do próprio Instituto mostram que as empresas familiares no Brasil que conseguiram perpetuar suas atividades foram as que listaram seu capital na Bolsa de Valores, movimento há muito ocorrido em outros países, como Estados Unidos e Reino Unido, que tem como um dos inúmeros requisitos para atribuição de valor, confiabilidade, a adoção de boas práticas de governança corporativa. Porque não pensarmos os produtores inseridos neste panorama?!

Se no Brasil, é recente o movimento que o tema começa a sair do ambiente das grandes empresas, especificamente no meio rural estamos “engatinhando” nessa otimização de gestão, a ponto de adotar boas práticas de governança. Muito tem se falado sobre a sucessão familiar ou patrimonial (em grande ascensão na área rural), tema inclusive já abordado por esta revista. Ocorre que muitos produtores rurais, ao passarem por esse processo, entendendo que sua família está mais resguardada de intempéries, param por aí. A proposta da governança é ir além: não apenas separar a propriedade do negócio em si, mas otimizar a gestão da atividade, que reflete na gestão estratégica da empresa, tornando-a mais competitiva, racionalizando as decisões, atraindo mão-de-obra qualificada, colocando a empresa que tiver essa ideia, a frente dos demais.  O produtor tem que efetivamente começar a tratar sua atividade como empresarial, o que inclui viabilizar uma “sede” administrativa, com colaboradores qualificados, controle total não só sobre a receita, mas também sobre os custos… Enfim, a época da caderneta passou!!! Aquele que insistir em tocar sua atividade de forma simplória, será uma questão de tempo para estar fora do sistema. Uma situação que pode ilustrar essa realidade são as certificações de commodities, emitidas por associações, a exemplo da Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS – ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY –) e as ISO, cada vez mais valorizada no mercado internacional.

E o que justamente entusiasma no tema, é que a governança pode se adaptar à realidade de cada empresa/ propriedade rural, de acordo com sua estrutura.

A governança corporativa possui 04 (quatro) princípios básicos, que são:

1- TRANSPARÊNCIA: Mais do que a obrigação de informar, é o desejo de disponibilizar a todos os envolvidos na atividade, todas as informações que a permeiam. A adequada transparência resulta num clima de total confiança, tanto internamente quanto com terceiros.

2 – EQUIDADE: É o tratamento justo de todos os sócios e demais envolvidos, na atividade. Note-se que não é o “tratamento igualitário” e sim “tratamento adequado”, pois assim o fosse, teríamos o caos, pois é incabível querer igualar todos de uma empresa sem considerar, individualmente, suas colocações nela.

3 – PRESTAÇÃO DE CONTAS: todos os envolvidos na atividade devem prestar contas de suas atividades, assumindo integralmente a consequência de seus atos e omissões.

4 – RESPONSABILIDADE CORPORATIVA: todos os envolvidos na atividade devem zelar pela sustentabilidade de sua(s) empresa(s), visando sua longevidade, incorporando considerações de ordem social e ambiental na definição dos negócios e operações.

Esse é o desafio que eu vejo e gostaria muito que todos os envolvidos na cadeia produtiva rural se propusessem a enfrentar, pois tenho convicção de que os que, de acordo com a sua realidade, implantarem a profissionalização da gestão, sairão na vanguarda das mudanças. “QUEM CHEGA PRIMEIRO, BEBE ÁGUA LIMPA”. Vamos juntos?!

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